Arquivo da categoria: Subo nesse palco

Fatoumata Diawara: a voz da mulher africana independente

Fatoumata Diawara nasceu em 1982, na Costa do Marfim, mas tem origem em Madina Kourolamini, uma aldeia no Mali. Muito agitada, segundo conta seu próprio perfil no Facebook, aos doze anos seus pais a mandaram para Bamako, capital do Mali, para ser criada por uma tia, que era atriz. Ainda adolescente, ela fez um punhado de filmes, foi à França participar de uma montagem de Antígona.

Aos 20 anos, ela já estava morando definitivamente no país europeu e, de lá, viajando pelo mundo como atriz de teatro. Fatoumata também participaria como backing vocal de artistas como a diva da música de Mali Oumou Sangare, que seria uma das suas inspirações na carreira solo, e do pianista de jazz Herbie Hancock, ambos premiados com Grammy.

A independência desde cedo explica muito sobre a Fatoumata que decidiu há alguns anos dedicar-se exclusivamente à música, tocando suas próprias composições. Em tempos em que já não é mais raro mulheres compondo, mas ainda chama atenção, ela compõe, toca guitarra ou violão e ainda dança no palco. Continuar lendo

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Desafio, trova, embolada, duelo de partideiros. O mesmo Brasil, com diferentes sotaques

Muito gaúcho cai na esparrela de que o Rio Grande do Sul “é diferente”. É como se cada local do Brasil tivesse suas peculiaridades, mas o Rio Grande do Sul ainda mais. Como se fôssemos “mais diferentes” que os outros. Uma balela, é evidente. O Rio Grande do Sul não tem mais nem menos diferenças com relação aos outros estados. A região de Salvador, por exemplo, tem uma influência africana que nenhum outro lugar do país tem. E nem por isto é considerada “diferente”. Continuar lendo

Ditaduras sul-americanas no Cine Bancários

O CineBancários, em parceria com o Sul21 e o Comitê Carlos de Ré – Da Memória Verdade e Justiça, traz nesta semana uma programação de filmes sobre as ditaduras na América do Sul. São seis filmes, cinco deles de ficção, mas o que mais me interessou ao ler as sinopses escritas pelo Milton Ribeiro foi o único documentário, a A Batalha do Chile, segundo ele obrigatório para entender a derrubada de Salvador Allende. Um trabalho de seis anos que resultou em três partes que serão exibidas separadamente durante a mostra. Acredito eu, inclusive, que a mostra não começa no dia 11 de setembro por acaso, já que é o “aniversário” do golpe militar chileno, ocorrido há exatamente 39 anos. Continuar lendo

O Mineiro e o Italiano

“O Mineiro e o Italiano” é a faixa 1 do disco Linha de Frente, de 1964

Este post vai para Venâncio e Vitor Batalhone, e Silas Alves dos Santos

A “canção de consumo”, como gosta de chamar o Luiz Tatit, começou a ganhar status no Brasil com sambistas do Rio de Janeiro que eram os principais cronistas da Capital Federal de então, como Noel Rosa e Ismael Silva. Sátiras, costumes, sabedoria popular, causos do cotidiano, tudo estava ali nos sambas que tocavam no rádio. No interior brasileiro, isto também aconteceu.

Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, por exemplo, com auxílio de inúmeros compositores, cantaram o Nordeste de meados do século XX. No Sudeste, quem ocupou este papel foram as modas de viola. Sou fanático por elas. Sempre são histórias sensacionais cantadas inteirinhas em dueto, mesmo com muitos versos. É preciso muito entrosamento e afinação para cantar moda de viola. E ainda tem a viola acompanhando a melodia. Entre os versos, a viola faz um rasqueado, muitas vezes acompanhado pelo sapateado da catira, ou cateretê. Continuar lendo

Mario Lúcio, o Gilberto Gil de Cabo Verde

Foto: Divulgação

O fácil acesso que temos hoje à toda a música do século XX em perspectiva, via internet, tem me dificultado a gostar realmente de coisas novas. Tenho Beatles, Miles Davis, Piazolla, Chico Buarque, Noel Rosa, Tião Carreiro e Pardinho, Edit Piaf, Fela Kuti, Teixeirinha para ouvir. Ou seja, posso ouvir qualquer coisa que foi feita lá atrás, de qualquer ritmo, de qualquer continente. Continuar lendo