Centro, volver

military intervention

 
Negar a realidade é sempre uma boa forma de seguir afundando. Vale, evidentemente, para Dilma e a base governista, vale também para a oposição à direita. Dizer que os que apoiavam um golpe, intervenção, ou coisa parecida, eram uma minoria insignificante nos protestos, pinçada a dedo por esquerdistas é mentira. Pesquisa feita pelo Instituto Amostra apontou que 12,5% dos manifestantes de Porto Alegre acreditam que em caso de queda de Dilma Rousseff os militares deveriam assumir o poder. A pergunta é dúbia, tornando possíveis tanto a interpretação de que a questão era se o entrevistado sabia quem deveria assumir o poder de acordo com a lei, ou quem ele gostaria que assumisse. De qualquer forma, uma em cada oito pessoas no protesto na capital gaúcha estava ali mesmo admitindo acreditar que os militares poderiam assumir o poder.

Fora isto, outros indícios da participação de pessoas de extrema-direita nos protestos pelo Brasil apareceram nos gritos “anticomunismo” em pleno século XXI, em termos como “nove dedos” para se referir a Lula, no discurso misógino, nos bonecos de Dilma e Lula enforcados, nos “carecas do subúrbio”, na tietagem à Polícia Militar, na participação dos monarquistas, da TFP, entre outras ocasiões.

Dada a votação de nomes como Jair Bolsonaro, Luis Carlos Heinze, Marco Feliciano e Coronel Telhada é bem razoável pensar que, se o Brasil tivesse uma extrema-direita descolada da direita ponderada, ela seria tão representativa quanto na Europa. É um chute, evidentemente, mas um candidato à presidência de extrema-direita no Brasil teria potencial para chegar a cerca de 10% dos votos (fatores como o tempo de televisão, porém, provavelmente lhe empurrariam para baixo num primeiro momento). Uma pesquisa do Datafolha – com métodos questionáveis, mas é o que temos – aponta que 11% dos brasileiros se disseram de direita. O estudo dividia os espectros políticos em direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda (ou seja, a direita na pesquisa é o que eu chamo no texto de extrema-direita).

Assim, acredito ser bem razoável pensar que, se são 10% no Brasil, em um protesto em que a maioria das pessoas se identifica com a direita, a extrema-direita deve compor cerca de 20% dos manifestantes. Por outro lado, também é verdade que a esmagadora maioria (80%), então, NÃO É de extrema-direita. É verdade também que Bolsonaro foi vaiado no Rio de Janeiro. E há relatos de que manifestantes pró-ditadura foram vaiados em Porto Alegre. E os Carecas do Subúrbio foram expulsos do protesto. Por outro lado, é fato que tipos como Bolsonaro e Coronel Telhada são admitidos em grandes partidos de direita e acobertados no Legislativo, sendo combatidos apenas por PT, PcdoB e PSOL.

Quando a direita ponderada se desvincular, de fato, da extrema-direita, as chances de sucesso eleitoral são enormes (embora para 2018, a direita já esteja muito bem cotada no Brasil de todo modo). Isso tem se verificado nos principais países europeus, como Reino Unido, Alemanha e França. Onde a direita se descola dos extremos, há grande chance de sucesso eleitoral. O motivo é um tanto quanto óbvio: esses caras QUEIMAM O FILME. A estratégia de botar a culpa nos “petistas”, enquanto as faixas gritam “MILITARY INTERVENTION”, tende a não dar muito certo.

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2 Respostas para “Centro, volver

  1. Excelente texto! Infelizmente as imagens mais extremistas sempre serão utilizadas para ilustrar posições políticas, sejam de esquerda ou direita. E isto reside justamente no fato de serem caricatas. No meu caso, estou guardando dinheiro para comprar a passagem do Lobão pra Miami. Se ele levar junto o Bolsonaro, melhor.

  2. Felipe Prestes

    uehuahauhuh, boa, Caio. E aí tu vê o caso do PT. Depois que se descolou da extrema-esquerda, levou quatro eleições seguidas.

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