Memórias da Era FHC

fabico

Foto: UFRGS

Uma pesquisa Datafolha da semana passada mostra que a faixa etária na qual Aécio Neves obtinha maior vantagem nas intenções de voto é entre pessoas de 16 a 24 anos. O dado não surpreende. São pessoas que tinham entre 4 e 12 anos quando Lula foi eleito pela primeira vez. O padrão a que o Brasil chegou não lhes é nada mais que o normal. Querem mais, e é natural (aliás, todos nós queremos). A diferença é que não sabem de onde o petismo tirou o país. Esse jovens vivem num lugar cheio de mazelas, mas não sabem que há pouco tempo era bem pior. Embora eu seja um pouco mais velho e não tenha tantos amigos com esta faixa etária, é para os mais jovens que escrevo este texto.

Entrei na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) no início de 2004. O Governo Lula tinha um ano. Quer dizer, já não foi bem no início de 2004. As aulas, que normalmente começam nos primeiros dias de março, só começaram no fim do mês. Era um resquício de uma longa greve feita anos antes pelos professores da UFRGS, que deixou o calendário maluco. Só no segundo semestre de 2004 tudo voltou ao normal. Nunca mais houve uma greve duradoura dos professores da UFRGS, apenas pequenos movimentos, normais em períodos de negociação.

Bem, a minha sala no primeiro semestre era suja e escura. As cadeiras eram pedaços de tábua retos, feitos a facão, datavam certamente de décadas atrás. Eram daquelas cadeiras em que você tem que escrever num dos braços. Não havia mesas. Hoje todo este material foi renovado, com cadeiras e mesas leves e mais confortáveis.

Apesar dos percalços, quando se está no primeiro semestre da faculdade tudo é festa. Mas tinha algo estranho. De repente, lá pelo meio da aula um clima de paz ainda maior reinava na sala. E só aí você reparava que um barulho ensurdecedor e contínuo tinha cessado. Havia uma GRÁFICA em plena operação bem em cima das nossas cabeças. Pouco tempo depois, o Governo Lula construiu um prédio novo, do outro lado da rua, onde foi instalada a gráfica, sem ensurdecer mais nenhum aluno ou funcionário.

Neste prédio novo também foi instalado um Restaurante Universitário (mas longe o suficiente para não escutarmos a gráfica). O antigo RU que atendia aos estudantes da FABICO e de toda a área da saúde ficava espremido em uma sala pequena no prédio da Psicologia. Não entrava luz. Cabia pouquíssimas pessoas, gerando enormes filas. Com um local bem mais amplo, bem melhores condições de trabalho e comida no novo RU se tornou muito melhor.

Já de estômago cheio, vamos ao trabalho. O estúdio de televisão, fundamental numa faculdade de jornalismo, foi reformado no Governo Lula. Antes disto, trabalhar na ilha de edição era quase uma SURUBA INVOLUNTÁRIA dado o pequeno espaço para o número de pessoas que circulava. Mas para falar a verdade não teve algo que não tenha sido reformado na FABICO durante os últimos doze anos (talvez alguém me corrija e diga “ainda falta a sala tal”, pode ser que falte alguma coisa).

A diversidade também se fez notar após a chegada do PT ao Governo Federal. Quando estudei lá, havia muito poucos negros ou pardos. Um por semestre, se tanto. E nenhum indígena.

Hoje, quando vou a Fabico dá enorme satisfação ver que não é mais um local de apartheid social. São muitos alunos negros e pardos. Minha irmã, que entrou depois de mim, teve um colega indígena também, o que foi certamente uma experiência importante para ele, mas também para todos os colegas, que puderam ter uma troca de experiências riquíssima.

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