Mais uns passos em círculo

tchau querida

Foto: Lucio Bernardo Jr. | Câmara dos Deputados

Recentemente a Piauí publicou trechos dos diários de FHC quando presidente. Lá pelas tantas, oligarcas do PMDB como Jader Barbalho e José Sarney movem uma CPI para investigar o tráfico de informações privilegiadas a instituições financeiras. Havia motivos nobres para tanto, mas a motivação dos senadores era torpe: a Receita Federal estava lhes cobrando uns caraminguás e eles desejavam retaliar o Governo. Ora, onde já se viu cobrar impostos das famílias que loteiam o Estado brasileiro? Continuar lendo

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Desempacotando o pacote – retorno do ITCD progressivo é ótimo, mas aquém do que já foi

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Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

Desde 2009, no Governo Yeda, temos uma alíquota única deste imposto de 4% para heranças e 3% para doações em vida. Sartori propõe a retomada da progressividade, uma medida extremamente correta, pois tira mais de quem tem mais para ajudar o Estado.

Entretanto, pesquisando sobre o tema vejo que é mais um dos fatos que mostram como regredimos em várias questões da redemocratização para cá. À época líderes de partidos como PMDB e PSDB eram Ulysses Guimarães e Mário Covas, saíamos de uma ditadura de direita. Era um campo aberto para a aprovação de leis que visassem o bem-estar social. Continuar lendo

Austeridade é a palavra-chave para as campanhas eleitorais

A supporter of the Swedish Social DemocrUma constatação daquelas sem grandes dados estatísticos, mas com a certeza de estar certo pela observação que já vem de algum tempo: sempre que vejo alguém se opondo ao fim das doações empresariais nas campanhas, o sujeito não tem outra proposta. Admite que o funcionamento das eleições no Brasil tem que mudar, mas apenas se manifesta para embolar o meio-campo e colocar defeito na proposta. Uma rara exceção é o próprio ministro do STF, GILMAR MENDES, que está obstruindo a votação da inconstitucionalidade das doações empresariais, já defendida por seis dos dez ministros do Supremo. Em passagem por Porto Alegre, MENDES defendeu que as campanhas precisam ser mais baratas. Eu concordo com ele e explico daqui a pouco. Continuar lendo

Centro, volver

military intervention

 
Negar a realidade é sempre uma boa forma de seguir afundando. Vale, evidentemente, para Dilma e a base governista, vale também para a oposição à direita. Dizer que os que apoiavam um golpe, intervenção, ou coisa parecida, eram uma minoria insignificante nos protestos, pinçada a dedo por esquerdistas é mentira. Pesquisa feita pelo Instituto Amostra apontou que 12,5% dos manifestantes de Porto Alegre acreditam que em caso de queda de Dilma Rousseff os militares deveriam assumir o poder. A pergunta é dúbia, tornando possíveis tanto a interpretação de que a questão era se o entrevistado sabia quem deveria assumir o poder de acordo com a lei, ou quem ele gostaria que assumisse. De qualquer forma, uma em cada oito pessoas no protesto na capital gaúcha estava ali mesmo admitindo acreditar que os militares poderiam assumir o poder. Continuar lendo

Memórias da Era FHC

fabico

Foto: UFRGS

Uma pesquisa Datafolha da semana passada mostra que a faixa etária na qual Aécio Neves obtinha maior vantagem nas intenções de voto é entre pessoas de 16 a 24 anos. O dado não surpreende. São pessoas que tinham entre 4 e 12 anos quando Lula foi eleito pela primeira vez. O padrão a que o Brasil chegou não lhes é nada mais que o normal. Querem mais, e é natural (aliás, todos nós queremos). A diferença é que não sabem de onde o petismo tirou o país. Esse jovens vivem num lugar cheio de mazelas, mas não sabem que há pouco tempo era bem pior. Embora eu seja um pouco mais velho e não tenha tantos amigos com esta faixa etária, é para os mais jovens que escrevo este texto.

Entrei na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) no início de 2004. O Governo Lula tinha um ano. Quer dizer, já não foi bem no início de 2004. As aulas, que normalmente começam nos primeiros dias de março, só começaram no fim do mês. Era um resquício de uma longa greve feita anos antes pelos professores da UFRGS, que deixou o calendário maluco. Só no segundo semestre de 2004 tudo voltou ao normal. Nunca mais houve uma greve duradoura dos professores da UFRGS, apenas pequenos movimentos, normais em períodos de negociação. Continuar lendo

O que Aécio Neves precisa explicar

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Aécio Neves não precisa explicar sobre boatos que dizem respeito a sua vida pessoal, por dois motivos já expostos na oração anterior: porque são boatos e porque dizem respeito a sua vida privada. Aécio Neves precisa mesmo dar uma explicação às dezenas de milhões de brasileiros atendidos pelo Mais Médicos (segundo esse post do governo federal o programa tinha capacidade para prestar assistência a 45,6 milhões de pessoas em abril deste ano – se for um número exagerado, ainda assim é notório que atende muita gente).

Pois bem, o programa de governo do candidato publicado no site do TSE apresenta a seguinte proposta para o Mais Médicos, na página 59: Continuar lendo

Toco y no me voy

neymar

Seleções como Espanha e Camarões levaram uma sacola recheada de gols na volta para casa. E a verdade é que a Copa dos muitos tentos se foi com essas e outras seleções que caíram na primeira fase. Continua sendo um torneio deliciante como a nega de Jorge Ben, com sangue, suor, pênaltis, tieta e quetais. Porém, o que me chama atenção é a falta de produção ofensiva coletiva nas quatro gigantes que sobreviveram.

Estamos tendo mais uma Copa dos craques que das seleções. Talvez pela certeza de que Robben, Messi e Neymar vão resolver – ou pela falta de outras opções – os treinadores mais bem-sucedidos têm apostado em fechar a casinha e jogar a bola em quem resolve, o que, até determinado momento, deu certo. Quando o craque não resolve, tem aparecido muito a bola parada. Foi assim que o Brasil fez seus três últimos gols e a Alemanha se garantiu contra a França. Os craques, por sua vez, resolveram na arrancada de Messi contra a Suíça para a conclusão de outro craque, Di Maria. Mesmo que discutivelmente, Robben acabou com a agonia holandesa diante do México em uma arrancada absurda. Jogadas muito mais de talento individual que de coletivo. Continuar lendo